Nossa, como é tarde!

Ultimamente, passei por duas situações que exemplificam claramente a total mudança de paradigmas que é ter um filho. Ou um filho que durma cedo ao menos. Eu até conheço bebês que dormem tarde. Mas no geral, bebês dormem cedo e começam a demonstrar que estão com sono com uma profunda irritabilidade. E se você não resolver isso logo, pode virar algo explosivo, o tal efeito vulcânico. O bebê chora chora chora, não sabe nem porque está chorando. E sair disso é foda!

Como eu já disse por aqui, a rotina na nossa casa foi o que me salvou do manicômio. E, talvez por sorte, talvez pela rotina (ou os dois), os meninos sempre gostaram de dormir cedo. Com meses, eles dormiam antes das 19h. Eu os acordava para o banho e depois dormiam de novo. Mais perto de um ano, não dormiam antes, mas às 19h em ponto estavam dormindo. Quando começou o horário de verão do ano passado, eu resolvi atrasar essa dormida para as 20h, porque eu percebi que eles já aguentavam o sono com um pouco mais de bom humor. E pôr uma criança pra dormir com sol lá fora é bem estranho.

Como são três, quase não fizemos nenhum programa que passasse desse horário. Imaginem o efeito vulcânico em três bebês ao mesmo tempo! E dois pais zuretas atrás! Agora, com dois anos e meio, já percebemos que eles aguentam mais passar desse horário na boa, principalmente se estão fazendo alguma coisa nova ou se estão com amiguinhos.

Há três semanas atrás estávamos na casa de amigos queridos que tem gêmeas, a Maga e a Ioio. Os meninos amam elas! As crianças brincando felizes, os pais bebendo cerveja e conversando, mais felizes ainda. Até que vemos a hora: 21:00. O Quincas fala: nossa, que tarde! Sim meu queridos, 21:00 para pais de trigêmeos estarem na casa de amigos, bebendo cerveja e as crianças na boa, é super tarde! Ou pelo menos uma grande novidade!

Ontem fizemos uma farra aqui em casa. Além das gêmeas, veio o Antônio, filho de outro casal querido. Fizemos pão de queijo, biscoitos, as crianças botaram a mão na massa. Foi uma lambança deliciosa. Num determinado momento, os bebês começaram a dar erro. Marcella (mãe do Antônio) calmamente bebia sua taça de vinho quando olha o relógio e fala: Nossa, que tarde!

Adivinhem que horas eram? 21:00!!!

E logo depois acabou a nossa night de sábado. Tem quebra de paradigma maior que essa?

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É assim mesmo…

Sou professora. Atualmente dou aula numa escola pública municipal e sou tutora de uma disciplina de um curso de graduação à distância. Sendo tutora, tenho que cumprir seis horas semanais de trabalho (algumas semanas trabalho menos, outras, como correções de trabalhos, bem mais). Entre as minhas atividades, tenho que responder às mensagens com dúvidas dos alunos na sala de tutoria em até 24h. Dei umas bobeadas nesse semestre e fui chamada a atenção. Até aí, ok, eu to errada. No meu pedido de desculpas, disse à coordenadora que isso não ia se repetir e que apenas nos fins de semana não poderia cumprir o prazo, pois tenho três filhos pequenos. Ela me respondeu algo assim: Eu compreendo o seu lado, até porque tenho dois filhos pequenos que valem por três (então tá, os meus valem por 5, ok?) e tenho que conciliar todas as atividades e compromissos, inclusive nos finais de semana, paralelamente à tarefa de mãe. Espero que você consiga entrar na plataforma inclusive nos finais de semana, pois o ensino a distância é assim mesmo…

É assim mesmo cara pálida? Eu sou mestra em educação, sou tutora de uma disciplina de um curso de graduação e sabe quanto é a minha bolsa (isso mesmo, nenhum vínculo, nenhum direito)? R$765,00!!! Por 765 eu ainda tenho que ler isso. E sem nenhum aumento há mais de três anos!

Corta.

Ano passado assisti a duas apresentações sobre experiências inovadoras na educação. Uma das mulheres falou de uma escola em Bali mantida por um milionário, com mensalidades caríssimas, mas com uma política de bolsas para os habitantes locais e tal. Um dos ouvintes perguntou sobre o salário dos professores dessa escola que, segundo a menina, eram de várias nacionalidades e pessoas altamente qualificadas. Ela respondeu que os salários não eram altos e completou com um: “coisa de professor né”.

Oi? Coisa de professor onde cara pálida?

Essas duas posturas me incomodaram profundamente! Por perceber como já está entranhado na nossa sociedade que professor trabalha de graça, inclusive finais de semana; que professor ganha mal, mas é assim mesmo. Que professor, quando escolhe a sua profissão, já sabe do pacote e, por isso, tem que se conformar. Não meus queridos, eu não acho maneiro trabalhar de graça! Eu não acho maneiro ganhar um péssimo salário. Eu não acho maneiro ir trabalhar numa escola onde faltam funcionários, onde não temos nenhuma estrutura para lidar com os inúmeros problemas que caem todos os dias no nosso colo. Eu não acho maneiro não poder tirar xerox de alguma coisa para os alunos ou imprimir algum trabalho que eles estão fazendo, porque a escola tem que economizar toner. Eu não acho maneiro ter que trabalhar em três turnos para ter um salário que me permita viver um tiquinho melhor. Tampouco acho legal acumularmos 2, 3 ou 4 trabalhos, não termos vínculo com uma instituição onde poderíamos dar aulas, mas também, preparar nossas atividades, receber alunos com dificuldades, fazer reuniões de equipe semanalmente…. isso tudo (bem) remunerado.

Enquanto pensarmos que é assim mesmo ou que isso é coisa de professor, NENHUMA reforma educacional servirá. Um dia desses uma menina compartilhou no fuçabook uma reportagem que o governo de algum estado brasileiro ia abolir as disciplinas e fazer algumas mudanças (fundamentais) na rede. Ela escreveu: “Já é um começo”. E eu respondi: enquanto o primeiro ponto não for aumentar o salário dos professores e vinculá-los a uma única escola, nada vai adiantar. Como posso saber as necessidades de algum aluno tendo 200 ou 300 alunos? Saber o nome já é um ganho. Como vou trabalhar feliz nas atuais condições em que a profissão docente se encontra? Como me atualizar, algo necessário na minha carreira, se não tenho tempo para estudar?

Não, eu não vou me render. Um ou outro fim de semana tudo bem. Mas naturalizar que é assim, que tenho que me dividir entre trabalho e filhos também no meu fim de semana, além dos cinco dias de trabalho semanais, é aceitar calada essa realidade nauseante que vivo todos os dias.

Invasão de bebês

Eles se apropriaram de tudo, de todos os aspectos da minha vida.

Começaram pelo meu corpo.

Depois, meu escritório que já não existe. Os livros foram parar dentro do armário.

A sala que diminuiu e, posteriormente, virou um parque de diversões. Primeiro com tapetinhos, cadeirinhas e pula-pula. Tiramos cds, dvds, livros. Depois os bibelôs que poderiam ser pegos por mãozinhas ávidas por descobrir o mundo e perninhas que se levantavam querendo ficar em pé. Brinquedos ocupando os nichos do rack, que perdeu suas prateleiras de vidro e viraram casinhas, até quando eles cabiam. Tempos passados.

Meu quarto que mudou completamente (para melhor, eu acho), mas ficava muito fechado desde quando começaram a engatinhar. Quando eu ia ao quarto e eles viam, ouvia atrás de mim, plec plec plec plec, rapidinho. Entravam, apertavam botões da impressora que fica a seu alcance logo na entrada (não havia outro lugar), se emaranhavam nos fios dos computadores ou abriam gavetas do armário tirando tudo que estava guardado. Hoje está um pouco mais fácil, mas a impressora, coitada, está sem uns pedaços. Eles ainda gostam dela. Por isso, permanece desligada da tomada.

Se apropriaram também do meu sono. Nas madrugadas e em todas as manhãs, mesmo nos fins de semana. Hoje, domingo, foi às 6:20. 6:20!

Minhas idas ao banheiro, que geralmente tem platéia. Agora mudei a porta e ela tem tranca. Confesso que gostei. Quando posso, fico lá sozinha, sem ter que dizer: olha a gaveta, faz dodói; não, isso é da mamãe; a porta prende o dedo; não desenrola o papel higiênico; isso é lixo, sujo, eca!

Minhas refeições, que passaram a ser mais corridas e, muitas vezes, compartilhadas.

Minha bolsa, que não existe quando to com eles. Se resumiu a uma carteira, uma chave e um celular dentro da mochila deles. Eu que levava pente de madeira para todos os lugares e me penteava umas três vezes ao dia.

Meus brincos grandes e colares. Meu cabelo que ficou preso por um ano evitando puxões com dedinhos gordinhos minúsculos, que você vai abrindo um e o outro vai fechando novamente. Tempos passados esses também.

Meu tempo de me arrumar. Passei um ano vestindo qualquer coisa, juro! No segundo ano melhorou um pouco. E esse ano a meta é me arrumar decentemente, independente do que esteja acontecendo.

Meus sambas, bares, shows, nights. Sim, eu sempre adorei sair à noite, pra dançar então, nem me fale. Adoro estar em casa, mas também adoro a rua.

Minhas caminhadas do Largo do Machado até a minha casa em Laranjeiras.

Andar na rua à noite. Tão simples.

Minhas idas ao cinema. Não vou há dois anos ao cinema. Como não vou, também não leio a Rio Show, hábito religioso outrora. Um dia volta. Meus filmes em casa com o marido. Isso dá, mas o problema é que eu durmo! Na verdade, já dormia antes, agora então….

 

Minhas panelas. Não basta eles terem as deles, rosas inclusive, porque essa história que rosa é pra menina não entra aqui em casa. Eles querem as minhas panelas! Tampas, colheres de pau, escumadeira, jarro da vitamina de todos os dias, potes de plástico, coador, faquinhas de passar pastinha que são sem serra e sem ponta. Eles pedem; “quelo faca”. E eu vou lá pegar suas facas para cortar o bolo de massinha. Tudo isso eles levam para o seu mini-fogão na sala.

Meu tempo de ócio, de não pensar em nada nos fins de semana. Na verdade, eu fico muito mais cansada fim de semana do que nos dias úteis. É nestes dias, quando eles estão na creche e eu tenho as minhas brechas, que eu descanso. Nos feriados, tem dias que chego à exaustão.

Antes de ser mãe, eu sempre dizia que o amor de mãe devia ser algo absurdamente grande, porque a sua vida muda de uma forma tão absurda, que esse amor era algo inimaginável para mim. E era mesmo. Porém, tudo o que a sociedade nos diz é isso: você vai conhecer um amor imenso! E sempre batem nessa tecla do amor.

Vamos falar desse amor. É louco pensar, mas tudo o que sentimos é construído cultural e historicamente. Há 200 anos as mães entregavam seus filhos para amas de leite e eles voltavam crescidos. Impossível pensar que alguém que ama instintivamente faria isso. Logo, esse amor de mãe que sentimos nasce primeiro na nossa cultura, depois na nossa idealização da maternidade e, para mim, principalmente, do convívio diário com os meus filhos. Nasceu na gestação, primeiro com a idealização. Não vou dizer que foi fácil. Eu tinha três bebês dentro de mim e amar essa ideia foi difícil pra caralho! Depois, cresceu mais um pouquinho com as mexidas dentro da barriga. Nas aulas de Yoga, momento único de conexão com eles. Depois do nascimento, tampouco foi automático. O puerpério foi uma explosão! Essa morte da antiga Carolina doeu pacas. De cada lágrima caída naquele tempo, o amor por eles crescia. A sensação da pele nunca tocada antes, o cheiro de bichinho, os grunhidos, o bebê no peito, o sono em cima de você como se não houvesse o amanhã. Depois as dobrinhas, os risinhos, os momentos de conexão, as brincadeiras, o descobrir o mundo. E toda uma série de eventos que, a cada dia, esquentam o meu coração, aumentam o meu amor por cada um. E mesmo esse amor não me impede de, às vezes, querer sumir do mapa. E até de sentir raiva. Hoje às 6:20 eu senti raiva. Me senti invadida além do limite suportável.

E será que é “só” o amor? É ele então que sustenta essa nova vida da mulher?

O que era inimaginável mesmo (até porque ninguém tinha me falado), era que EU ia mudar por completo. Porque aquela Carolina não existe mais, não tem como existir diante dessa nova vida. É uma crise de identidade tremenda! Nada restou daquela vida, nem eu mesma. E reconstruir-se é difícil pra dedéu! Não acreditem nos comerciais de margarina, por favor!

Mas eu posso dizer uma coisa? É difícil, é doloroso, às vezes é enlouquecedor. Mas é revolucionário! Renascer aos 30 anos me fez enxergar muito além do que eu imaginaria. Me ajudou a fazer as pazes com um monte de gente, inclusive comigo mesma (e com muitas outras não). Me deu muita confiança diante da vida. Me deixou mais forte. Me deixou mais livre, mais generosa, me ajudou a exalar mais amor.

Esse não é um processo acabado. Ainda tem um longo caminho pela frente. Sei que teremos momentos difíceis e outros deliciosamente felizes! E o principal: seria impossível percorrê-lo sozinha. Meu companheiro, minha família e a aldeia de mulheres que eu faço parte me fortalecem todos os dias.

Anedotas trigemelares II

Foi uma bela tarde na lagoa. Nós todos, a amiguinha Dora, a amigona Ana, os avós e parte da família do avô que veio do interior de SP. As crianças se esbaldaram! E o melhor: Joaquim e Bento sem fralda arrebentando! Leon está um pouco mais devagar no desfralde e, apesar de hoje ter conseguido fazer uns xixis no penico, não está preparado para sair de cueca.

Lá pelas tantas percebi que a fralda do Leon estava muito cheia e pensei: vamos sentar no árabe e eu troco. Fomos em vários mini grupinhos, eu e Bento, Quincas e Joaquim, Dora e Ana, Leon e os avós. Estes, deixaram o netinho com os pais no árabe da Lagoa e foram embora.

Esfihas, quibes, suco de laranja, brincadeiras, chopp (o primeiro – de muitos – meu e da Ana com filhos juntos), tudo uma delícia! Até que Bento fala: to fazendo cocô na cueca. Eu olho e não vejo nada. Pergunto: filho, você que ir fazer na privada? Quero. Saímos correndo, Joaquim correndo atrás chorando e gritando mamãe, mamãe e Bento acabou não fazendo cocô nenhum. Quando estou voltando, Quincas aparece com o Leon e diz: ele fez um cocô que vazou e tem um enorme pedaço de merda no chão! Putzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Deixei ele lá trocando o menino e cheguei meio esbaforida perguntando a Ana o que houve (que nessa altura já estava cuidando da Dora e do Joaquim) . Meia dúzia de palavras e ela (no exato momento em que eu me dei conta): aliás, cuidado, porque o cocô estava por aí. Fui olhando devagarzinho pra baixo e….sim, eu estava pisando num enorme pedaço de merda do meu próprio filho!

FIM

obs: foi a minha mãe querida amada que pregou uma peça na gente com sua memória gigantesca! Ela viu a fralda cheia incomodando o garoto e resolveu tirar, deixando-o só de short, soltinho, só que esqueceu de avisar!!! Valeu mãe!

É carnaval!

Eu tenho uma certa mania de comparar os anos e o que eu estava vivendo em datas importantes. E o carnaval, para mim (e para o maridón), é muito importante! Desde o ano novo que eu estava com vontade de escrever esse post. Mas a vida corrida não me deixou.

Os últimos três anos da minha vida foram os mais intensos que já vivi, em todos os sentidos! Mas foram muito difíceis! No ano ano novo de 2012-2013, eu estava em casa no fim da gravidez, de repouso, com mal estar e dores pelo corpo todo, mega inchada, aguardando a chegada dos meninos. Minha tia querida fez um bacalhau maravilhoso e veio passar a meia-noite aqui com a gente. No carnaval, eles já tinham nascido e acabado de sair da uti. Eu estava literalmente em outro mundo, imersa nas sensações, dores e medos de recém mãe.

No ano novo 2013-2014, eu passei literalmente na cama, quase dormindo. Sério, nunca antes na minha vida eu havia pensado que isso aconteceria. Meus três meninos e o maridón estavam doentes, febre, uma coisa horrorosa! Uma amiga que acredita na data (eu só gosto da festa) e sempre escolhe a cor e compra roupa nova, ficou horrorizada quando soube. Mas pensando bem, aquele momento significava exatamente todo o meu ano e o ano que ainda viria pela frente. Três bebês em casa, pouca liberdade, muitas viroses por entrarem na creche. E foi um ano tão transformador! Consegui me libertar da babá, pedi demissão de um emprego, reduzi drasticamente o meu salário, mas aumentei o meu tempo. Tempo de filhos, mas principalmente tempo para mim! Tempo para processar todas as mudanças psíquicas pelas quais passamos quando somos mães. Para mim, não rola simplesmente ligar o automático. Não consigo!

O carnaval de 2014 merece um parágrafo a parte. Preparem-se, pois é meio nojento e angustiante. Acho que os meninos tinham dormido uma única vez na casa na minha mãe antes disso, para testar mesmo. Eu precisava daquele momento! Vínhamos de férias non stop com os 3 em casa, começamos a trabalhar mais cansados do que terminamos o ano, eles pegavam um rota vírus que vinha e voltava, vinha e voltava. Foram muitas madrugadas trocando lençol, limpando diarreia, foi foda! No carnaval, eles iriam sábado a noite para a minha mãe e voltariam segunda. Assim, pularíamos domingo e descansaríamos. Pois bem. Na terça, Joaquim começa uma febre. Eu em contato com o pediatra o tempo todo. Até que sábado de manhã, a febre já mais espaçada,  o pediatra me diz: se a febre voltar, leva ele na emergência. Joaquim dormiu umas 4h seguidas e acordou bem, sem febre. Assim ficou umas horinhas e nós pensamos: vamos! Vai rolar! Levantamos acampamento e chegamos na minha mãe para o jantar deles. Quando o pratinho passou, eu senti um cheirinho de azedo. Sinal amarelo acendeu. Mas pensei: Carolina, deixa de ser maluca, você tá na casa da sua mãe pô. Ela não ia dar comida estragada pros netos e você não vai ficar cheirando a comida na casa da sua própria mãe. Nessas horas a gente aprende que tem que confiar no instinto materno.

Minha tia querida havia feito um arroz com várias coisinhas no dia anterior. Aí estava o problema. Eu sempre dei comida de um ou dois dias pros meninos. Na boa. Cheiro e tá ok, sem problemas. Mas arroz misturado com qualquer coisa não dá. Só que ninguém percebeu. Um tempo depois fomos colocá-los pra dormir. Mamaram e aí começou o show de horrores. Bento berra e vomita num jato, muito! Levanta, troca, banho, lençol, tadinho. Não me lembro a ordem das coisas agora. Sei que Leon fez o mesmo e os dois seguiram assim umas três vezes. Tinha vômito pela casa da minha mãe toda. Sofá, tapete, edredom, chão. Um horror! Só Joaquim se safou. No final, se eles vomitassem mais uma vez, não teríamos bodies e roupas de cama. Eles adormeceram na sala e eu fiquei umas 2h esperando ver o que ia dar. Eu estava tão cansada que era impossível voltar pra casa com eles. Não ia conseguir! Era uma mulher em frangalhos, que havia conhecido o limite do cansaço e superado nos últimos dias e agora essa…. Combinamos que eu iria pra casa e de manhã nos falaríamos. Se eles tivessem passado mal, nada de bloco. Se eles tivessem ficado bem, iríamos espairecer um pouco a cabeça. Sorte que não tiveram nada e foi com esse coração em frangalhos que fui, com um baita peso na consciência também. Mas eu precisava daquele momento! Foi uma curtida light. Nada de mega badalações como em outros anos. Saímos de lá fim da tarde, almoçamos pela Lapa e voltamos. Umas 14h do dia seguinte fomos buscá-los. E acabou-se o nosso carnaval. Os vômitos e diarreias não, pois como eu disse o rota vírus ficou zanzando a nossa casa por muito tempo.

O ano novo 2014-2015 passamos num sítio maravilhoso com amigos maravilhosos depois de uma viagem de 10 dias com os meninos. Ficamos uns 5 dias incríveis no sítio, todo mundo curtindo meus meninos que são demais! Passei festejando e logo fui dormir, porque o trio elétrico começa cedo. Eles até que nos deixaram dormir até 8:30 e depois tiraram uma soneca de umas 3h à tarde. Foi bom!

O carnaval será amanhã, domingo. Minha mãe e o vô passaram aqui, pegaram os netos e segunda nós vamos lá fim do dia buscá-los. Dessa vez teve uma rouquidão estranha no Joaquim, mas nada que nos deixasse preocupados a ponto de achar que vai mixar. Quando eles foram embora deu um vazio no peito, como sempre. Mãe é um bicho complicado. Fica louca querendo esse momento, mas quando tem fica perdida, ao menos nas primeiras horas. Tá tudo combinado para amanhã, fantasia coletiva, amigos e uma zoeira mais próxima das anteriores. Óbvio que uma mãe de três só acredita que vai mesmo quando tá lá, quando acorda e fica sabendo se os seus filhos estão bem. Mas acho que tá tudo certo! Nunca mais vai ser como era antes, porque eles sempre estão ali, nos meus pensamentos. Mas eu acredito muito que as coisas estão ficando mais normais, estou recuperando minha liberdade de volta e conseguindo fazer raramente coisas que eu gostava muito, o que me faz valorizar muito cada uma delas! Filhos pequenos não são para sempre, definitivamente. No meio da correnteza, a gente realmente tem que pensar que tudo passa! E quando passa, fica ainda melhor do que era antes!

Feminista, eu?

Quem é mãe sabe: certezas absolutas que você tinha antes de ter o bebê desmoronam num piscar de olhos. E podem ser totalmente reformuladas. De fato, ser mãe é se adaptar cotidianamente a novas situações, sentimentos e questões existenciais.

Eu sou historiadora, professora, de esquerda (não me venha falar que não existe mais direita e esquerda!), totalmente contra qualquer tipo de conservadorismo. Nada mais natural do que defender o feminismo com unhas e dentes, apesar de nunca ter militado no movimento especificamente. Lembro de um namorado que tive que a mãe dele passou a vida inteira trabalhando apenas até as 12h para depois cuidar dos filhos, levar para aulas, estudar, brincar, passear. Ele achava o modelo ideal de família e eu, do alto dos meus 18 anos, entrando na faculdade de História, achava aquilo a maior balela. O quê? Eu vou é trabalhar, não quero depender financeiramente de ninguém (sendo professora, haha).

Os anos foram passando. A vontade de ser mãe, crescendo. E o questionamento sobre aquilo tudo, aparecendo. Uma vez fui na casa de uma amiga com o bebê de 4 meses e pensei: se ela tivesse que voltar a trabalhar, esse bebezinho agora teria que ser separado da sua mãe. Eu ainda não conseguia pensar que a mãe também teria que se separar do bebezinho, ainda não conseguia imaginar o que era aquele sentimento.

Uns dois anos depois eles vieram. E eu mergulhei. Mergulhei de cabeça nas águas profundas da maternidade. Quase não saía de lá, eu respirava isso, eu vivia isso com todo o meu ser. Os dias se passavam e eu às vezes me tocava que praticamente não tinha saído do quarto deles! As poucas saídas na rua sem eles eram muito estranhas e estressantes. Voltava correndo pra casa, onde eu não ouvia buzinas, gente se xingando, gritando, carros freiando. Só ouvia o choro e grunhidos dos meus bebês.

Nesses dias fora do tempo cheguei a me confrontar comigo mesma, pensando: o que aquelas feministas tinham na cabeça? Como assim me separar dos meus filhos? Que raiva! Eu queria ficar aqui pra sempre! Sem contar todo o estresse que as mães passam para montar um esquema de quem vai ficar com o seu filho quando ela voltar a trabalhar. Creche? Babá? Avó?

Óbvio que eu tinha a noção que agora tínhamos a liberdade de escolher ficar em casa ou trabalhar (afinal, dinheiro a gente colhe na árvore). E elas lutaram por isso. Óbvio que eu sabia que agora podia escolher ficar com o meu marido ou não. E que se eu escolhesse o não, eu teria uma profissão, um ganha pão.

Não quero entrar tanto nessa discussão da liberdade de escolha, pois poucas podem de fato parar de trabalhar para ficar com o filho no primeiro ou nos dois primeiros anos. Sim, isso eu acredito: ninguém melhor que a mãe nesse período. Ou poucas podem diminuir a carga de trabalho para não ver seu bebê quando acorda e quando já vai dormir. Porque essa é a realidade. As famílias hoje em dia dependem do salário da mulher.

O grande problema é que as mulheres conquistaram seu lugar no mercado de trabalho, mas ele ainda é um ambiente regido por leis masculinas. Licença-maternidade de 4 meses é ridículo! Licença paternidade de 5 dias corridos após o parto, mais ainda. Trinta minutos para amamentar quando você volta é piada. A não ser que você more ao lado do trabalho. E esperar que a mulher volte a super trabalhadora com o gás anterior é não fazer a menor ideia do que é ser mãe de um bebê de 4 meses. Poderíamos começar a conversar com licença de 6 meses e retorno parcial ao trabalho por mais 6 meses.

Enfim. Nem é essa a discussão que eu quero trazer hoje. Posso falar nisso outro dia elucidando melhor várias questões. Quero é falar da minha raivinha momentânea do feminismo (lembrando que só estou abordando um aspecto dessa luta, que foi e ainda é muito maior).

Os meninos foram crescendo, se desenvolvendo, cada dia dependendo menos de mim, cada dia afirmando mais sua personalidade separada da minha (é muita vontade junta nessa casa minha gente). E aquele cordão umbilical invisível vai cada vez se alargando mais. Porque só o físico foi cortado no parto, o imaginário perdurará por muito tempo, quiçá a vida inteira. Dia após dia, volto a ter meus interesses antigos, além de outros mil que nasceram com eles. O problema agora é conseguir tempo para todos eles. E eu me achava sem tempo antes….. ai ai. E eu comecei a necessitar de momentos sem eles, para minha integridade física e mental! Três bebês enlouquecem a gente! Porém, tenho muitas amigas com um filho só e também sei que um bebê nos enlouquece.

E aí as feministas me vieram a cabeça novamente. E eu entendi tudo! Não poder ter a escolha de cuidar dos filhos a vida inteira ou trabalhar devia ser enlouquecedor. Porque cuidando de um, dois, três filhos… as mulheres não deviam conseguir ter muita vida própria. E esse é para mim um dos maiores e mais belos desafios da vida materna: o redescobrimento de si mesma!

 

 

Das dores de uma mãe de três

A maternidade traz uma certa carga de dor. Desde a gravidez ficamos mais chorosas, tipo uma TPM infinita. Você não sabe por quê, mas está tão sensível! O bebê nasce e vem o puerpério. Tudo piora. Você vai chorar em algumas semanas o que chorou na gravidez inteira. Ou mais.

Embora diminua com o passar do tempo, toda mãe é uma chorona em potencial. Basta passar alguns segundos olhando para os meus filhos e admirando a perfeição da natureza, que sobe um arrepio e os olhos ficam cheios de lágrimas! Basta ver uma criança numa situação de fragilidade, ou um idoso, ou qualquer desconhecido… às vezes choro, às vezes seguro. Hoje vi uma amiga recém-mãe. Obviamente ela chorou e eu obviamente chorei junto! Semana passada uma outra amiga, num papo sobre a vida, também chorou. E eu? Chorei junto. Basta me falar: “Carol, nos momentos de pânico só penso em você! Que guerreira!”. Já me dá vontade de chorar de novo.

Aí está o ponto onde quero chegar hoje. Só eu (e umas poucas mães de múltiplos) sei o que sinto e passo. Sinto dores que outras mães não sentem. Sentia dor ao entrar na UTI neo e ter que dar atenção e colo a um de cada vez. Eu estava junto com eles, grudados, sendo quatro em um único corpo até as 18:10 de um 16 de janeiro. E tive que aprender na marra a me dividir.

Senti dor a cada mamada em que eu só podia dar mamadeira para um, ou peito para dois, embora a amamentação aqui tenha durado pouco tempo.

Senti dor a cada choro incontido por mim, pois estava ocupada com outro.

Senti dor a cada vez que tive que deixar um chorar porque estávamos só eu e Quincas, ele dando banho, eu arrumando outro. Foram muitas as técnicas de colocar no sling o bebê já arrumadinho, mas às vezes não dava.

Senti e sinto dor a cada vez que percebo que eu e Quincas não damos conta. A cada vez que tenho que pedir ajuda. Ajudas são necessárias para mães de um, ok. Mas eu necessito de ajudas, eu sou presa a ajudas. Porque eu simplesmente não dou conta de cuidar dos meus três filhos sozinha. Que maravilhoso que eu tenha uma família que nos abraça diariamente e dá muito amor aos filhos. Mas eu queria ser um polvo, eu queria ter uma teta a mais! Eu queria não depender das pessoas para seguir em frente.

Sinto dor a cada colo negado, porque já está ocupado com um ou até com dois. E outra pessoa tem que pegar meu filho falando “mamãe, mamãe” e se jogando na minha direção.

Sinto dor a cada mão dada negada porque minhas duas mãos estão dadas a dois bebês, mas eu não tenho uma terceira mão para dar.

Sinto dor todas as noites quando não consigo estar entre meus três filhos, só entre dois. E tem um que fica mais longe de mim.

Hoje acho que isso tudo só significa uma coisa: AMOR! Amor transbordante, amor que não cabe. Amor que não sabemos o que fazer com ele. Sinto dor de amor! Porque esse amor de mãe é tao grande que dói. E eu nasci mãe de três ao mesmo tempo.

E a vida ainda está só começando. Sei que sentirei muita dor por razões que nem imagino ainda. Felizmente, eles me fazem sorrir ainda mais e tornam a minha vida mais colorida, apesar da dor!

Eles são iguais?

Essa deve ser a frase que as mães de múltiplos mais ouvem na vida! Os meninos não são idênticos. Mas eu acredito que mesmo os pais de gêmeos idênticos podem listar uma infinidade de diferenças nos seus filhos. Não to nem dizendo físicas, mas sim, comportamentais!

Das diferenças físicas eu não preciso nem dizer, só que os 3 são belos, explosivamente belos, universalmente belos!

Das comportamentais, posso afirmar que eles não tem nada a ver um com o outro. São TÃO diferentes que eu às vezes penso que não vieram da mesma barriga! Ou seja, para desespero (ou não) das mães, a personalidade nasce com eles. Não importa que você tenha feito yoga, meditação, hidro, comido só orgânicos, trabalhado muito, trabalhado pouco, tenha mudado de casa, cidade, estado, país…. personalidade nasce com a gente. Vejam bem, não estou falando que nada disso importa, de forma alguma! Acredito MUITO que uma gravidez calma, tranquila, centrada, acarinhada, amorosa, faz toda a diferença. Mas isso não quer dizer que seu filho será um anjinho, ou vai chorar pouco, ou não passará pelo terrible two! Sim, seu filho vai chorar, espernear, testar os seus limites, fazer birra, brigar com o sono, ter fases ruins para comer, dormir, etc, mesmo você tendo sido a grávida maissssss relax que existe.

Vou contar um pouco das personalidade de cada um para vocês terem uma ideia dos três menininhos radicalmente diferentes que tenho em casa.

BENTO

Bento é complexo! Bento contém em si a semente do bebê mais apaixonante do mundo e a semente do bebê mais surtante do mundo! Nossa, como meu pequeno já chorou na vida. Lembro da primeira consulta com o segundo pediatra, ele com dois meses urrando no consultório. A rotina de choro, sono, acorda, sorrisos, depois gargalhadas (a mais gostosa), choro, sono…. durou muitos meses. Ah, bola de pilates, muita bola de pilates. Muito som do útero no celular. Colo em pé, principalmente entre 15h e 19h, quando ele apagava de verdade. Ele sentia falta do útero! Com ele todas as técnicas da Teoria da Exterogestação davam certo: charutinho, som do útero ou um sonoro shiiiiiiiiii, balançar na bola de pilates ou com ele nos braços, sling, muito sling. Até uns 6 meses, nos revezávamos com o colo em pé, porque depois desse horário ele só aceitava isso. A cada nova soneca, um choro que eu pensei inúmeras vezes que meu filho sentia dor! Quem ouvisse poderia pensar que tinha um bebê sendo torturado. Na madrugada nunca me deu trabalho. Mamava e pronto. De dia, mamava bem menos do que irmãos, pulava mamadas e tudo. Eu cheguei a dar a mamadeira a ele dormindo inúmeras vezes. A pressão do bebê prematuro engordar fica registrada na pele da mãe, mesmo quando ele já é um gorducho gostoso! Pensei em tudo sobre ele chorar daquela maneira. Alguns dizem que é o medo da caverna, quando nossos ancestrais tinham que entrar na caverna e se proteger dos animais ferozes que iam ali também procurar o seu lugar ou carne fresquinha. Parece loucura, mas temos que pensar que a história humana foi assim por milhões de anos. Nós também a chamávamos de hora do espanto. Quando o mundo começou a se descortinar a ele, as coisas foram começando a ficar mais fáceis, devagarzinho. Ele sempre foi muito esperto! Muito ligado! Sentou logo porque queria ver o mundo de outro ângulo. Adorava brincar na mesa de atividades. Foi ele quem deu a primeira gargalhada da casa. Sabem como? Após uma tosse minha. Cof Cof e ele me solta uma gargalhada. Forcei novos cofs cofs e foi delicioso! Percebia também que ele gostava de independência. E pensava: a hora que esse menino engatinhar, depois andar, depois falar, as coisas vão melhorar. E como intuição de mãe não falha, eu tava certa! Bento foi deixando de ser um bebezinho e cada vez mais foi mostrando seu lado delicioso. Bento engatinhou por último porque se arrastando chegava mais rápido e ele ficava estressado tentando engatinhar. Se estressa quando erra as coisas. Mas andou primeiro, porque sim, queria independência. Depois que deu seus primeiros passinhos, a brincadeira era andar! Ele ficava pra lá e pra cá e nos brindava com abraços deliciosos! Fala o triplo de palavras que os irmãos falam. Já se comunica totalmente com a gente. E isso diminui e muito o choro. Exige atenção! Já chama Mamãe, mãe, mãe, até eu virar e ele me mostrar uma traquinagem. Lembram das mamadas? Pois é, ele é o que come menos em disparada. Tipo, metade do prato. E sem podermos lhe oferecer uma colherada, porque ele quer comer sozinho. Em compensação, come todas as frutas possíveis e impossíveis. Ele trocaria refeições fácil se pudesse. Anda, corre, come, brinca, pula, pinta, canta, dança, ama qualquer tipo de atividades. Te mostra tudo e todos na rua, no carro, conta causos. Massssssss…………….. quando boicota o sono, sai de baixo! Chora e nem lembra o por quê. É manhoooooosoooooooo. Dá uma topadinha e buááááááááá. É capaz de ficar uma hora chorando sem parar, sério! Até o meio do ano, no meio da tarde começa a ficar chatinho de cansaço na creche (em casa também) e as queridas educadoras tentavam driblá-lo, além das 23 crianças que estão sob a sua supervisão. Hoje em dia suporta muito mais o sono. Mas quando tá cansado, às vezes dá pt, chora chora chora e nem lembra o por que. Segunda mesmo foi assim. Tentei mil coisas e ele não parava. Aí disse: filho, então deita. Chorou mais um pouco. Respira. Pára de chorar e me diz o que você quer. Ele parou e disse mamá (eu já tinha oferecido inúmeras vezes). Dei o mamá, virou pro lado e dormiu. Meu filho é sensível! É genioso. É divertido. É risonho. É chorão.

LEON

Leon é meu docinho, meu chamego, meu ajudante, o bebê com o olhar mais sereno que já conheci. Costumamos dizer que quem tem um filho só que nasce como o Leon, definitivamente não sabe o que é ter trabalho. Sim, ele nunca me deu trabalho! Quando pequeno, gostava muito de um colo, de ficar agarradinho. O colocávamos no berço e ele começava a reclamar. Pegávamos e pronto, problema resolvido! Dormia hoooras em cima do peito. Quando os irmãos estavam mais chorões, era ele que ficava na boa na cadeirinha ou no tapetinho, no seu mundo. É muito observador. Desde pequeno prestava atenção em tudo, olhava a sua volta tudo e todos. E assim ficava viajando no seu mundinho de bebê. Hoje em dia, percebemos que ele é um pouco tímido, ressabiado. O primeiro olhar é com aquele rabo de olho. Mas logo estabelece vínculo, dá a mão e vai no colo. É o que menos me requisita, para meu alívio de certa forma. E peso na consciência, porque realmente eu dou mais atenção aos irmãos. Sempre que eles não me requisitam, eu dou atenção a ele, mesmo que não esteja pedindo. À noite, Bento e Joaquim só aceitam que eu dê o mamá e eu fique ao lado deles. Entro no meio e Leon no canto, sempre com o pai ou qualquer outra pessoa que esteja me ajudando. Apesar de receber muito amor de todos, sinto uma culpa imensa e volta e meia vou ao seu lado no fim, digo que o amo muito, faço carinho. Antes dos outros dois começarem com essa exclusividade, cada dia eu dava mais atenção a um na hora de dormir e agora não consigo, porque é gritaria na hora. Aliás, ele é muito grudado ao pai, uma lindeza ver os dois amigos. Era o menor e agora é o maior. Bate um pratão. É forte, todo troncadinho. Calminho. Se precisamos ir a um lugar que não é muito baby friendly, o bebê escolhido é ele. Lembro que Quincas teve uma reunião num sábado de manhã uma vez e o levou. Passou a reunião toda na boa, no colo. Mesmo quando tá doente pode dar pouco trabalho, porque dorme 2x mais do que já dorme normalmente. Ah, fundamental: ele dorme muito! Uma delícia! Pena que os outros dois SEMPRE acordam a gente antes, às vezes BEM antes. É o mais musical. Apesar dos tambores serem mania entre os três hoje em dia, quem começou com isso foi ele. Passava o dia inteiro com o tambor na mão. É só ouvir uma música que começa a mexer o corpinho. E segura o violão vagabundo do saara super certinho, assim como vê o vovô Pepe fazendo. Quando sai de si? Com sono. Aí entra em parafuso mesmo, chora, esperneia. E não é porque é calminho que não sabe se colocar não. Realmente os irmãos tomam a sua frente em diversas situações, mas ele disputa território, brinquedo, entra nas confusões também. E as vezes passa e dá um tapa no irmão, com a maior cara lavada do mundo! E com aquela cara de santo, um sorrisinho ao lado da boca. É mole?

JOAQUIM

Joaquim é o maior exemplo que não podemos falar nada sobre a criança que nosso filho vai ser quando é bebezinho. Dizíamos que ele era o bebê com manual de instrução. Mamava, dormia (se entregava), brincava, tudo na boa. Super tranquilo! Não me deu trabalho até uns 9 meses, a não ser pelo refluxo que jogava jatos de leite após a mamada e nas horas seguintes. Com os 9 meses veio a chamada angústia da separação. Explicando muito simplificadamente, esse é o momento em que o bebê começa a perceber que ele e sua mãe são pessoas diferentes. Para se aprofundar, melhor buscar no oráculo. E aí meu amigo, o bicho pegou! Joaquim acordava milhares de vezes, aos berros, e só podíamos sair depois que dormia, o que às vezes demorava. Ainda hoje, acorda de vez em quando de madrugada e quer ficar mexendo nos meus dedos, mania que tem para dormir. É meu chicletinho! É mamãe pra todo lado. Dá um abraço apertado que leva a sua energia lá pra cima. Se arrastou antes de sentar e isso mostra exatamente o que ele é hoje: um pestinha! Todas as traquinagens são inventadas por ele! Todas! Joaquim fica na ponta dos pés e vai pegando tudo que está ao seu alcance. Se você acha que preparou a casa, quando ele chegar, vai ver que ainda está perigosíssima! É muito rápido, sobe em tudo. Seu desenvolvimento corporal impressiona. Se você deixar de olhá-lo 2 minutos, pode ter acontecido uma catástrofe: o pacote de pão pode estar vazio e todos os pães no chão, ou o de biscoito com todos os farelos de polvilho; o chuveirinho pode ter sido acionado; o rolo de papel higiênico pode estar desenrolado; a faca pode estar na sua mão e ele andando serelepe, ou o tubo de remédio; várias folhas de lenço umedecido podem estar espalhadas pela casa; o pote de água do gato pode ter sido derramado e a água no chão virado um ótimo divertimento; a pá que você limpa a areia do gato pode estar em suas mãos, ou a pá de lixo; qualquer objeto eletrônico que você deixou no alto, ele pode ter achado; a caneta pode ter sido comida e sua boca estar toda verde, com direito a escarrada alienígena, e assim por diante. Você não precisa ter visto os três comerem para saber onde Joaquim sentou. Procure o lugar mais sujo. Enfim, é meu pequeno monstrinho! Monstrinho mais carinhoso que existe, mais risonho, encantador e simpático! Mas me tira do sério e eu tenho realmente que me controlar, porque ele testa meu limites! Ah, faz pouco tempo que se trancou dentro do carro com Leon num dia de calor absurdo. Sim, a mãe viu que a chave estava com ele, mas não se tocou do que ele poderia fazer com ela enquanto ela fechasse o carrinho. Sabe aquele negócio que nunca passou pela sua cabeça que pudesse acontecer? Ele faz! Me testa com choros escandalosos quando não consegue algo, o que também me tira do sério. É muito perigoso e não podemos tirar o olho dele 1 minuto sequer. Às 6h da matina pula da cama numa atividade enérgica e papai e mamãe zonzos! Mas seu sorriso maroto compensa tudo! Fora que é muito engraçado e delicioso vê-lo explorando o mundo!

Percebeu? Encontrar semelhança é difícil, a não ser a gostosura!

Santa rotina

Desde a gravidez, sabíamos que a rotina seria fundamental aqui em casa. Senão, nós enlouqueceríamos. Hoje, 1 ano e 8 meses depois, eu posso afirmar categoricamente que sim, nós enlouqueceríamos. Se tem uma dica que eu dou a qualquer futura mãe, é: rotina! Óbvio que ela não precisa seguir estritamente como eu segui, afinal, ela terá um bebê dando erro. Aqui eu teria 3 e eu não estava afim de vivenciar isso.

A rotina me fez perder muitas coisas que eu queria viver com um filho. Na verdade, não foi a rotina, mas a experiência da maternidade tripla. Porque aquela liberdade que a mãe de um tem de sair com seu filho pra quase todos os lugares, eu não tinha. Ok, você que é mãe de um vai me falar que é super trabalhoso sair com um bebezinho, que você checa mil vezes a bolsa pra ver se não esqueceu nada, que isso ou aquilo. Mas eu, do alto da minha experiência, só posso dizer: sair com um bebê só é muito fácil! Lembro uma vez que eu tinha marcado com uma amiga de ir com marido e filhos na casa dela. Ela tem dois filhos e mora numa casa super gostosa. Ia ser divertido. No dia, Quincas estava meio doente e eu disse a ela que eu iria sem ele, com dois bebês. E ela: Carol, eu vou entender se você não vier. Ele vai ficar cuidando de um bebê, doente? E eu: filha, isso é lucro! Se eu ficar em casa, ele vai ter que cuidar de três! Porque alguma hora vai sobrar pra ele!

Voltando ao tema, meus filhos estiveram poucas vezes acordados depois das 19h30. Eu, que sempre quis curtir um sambinha com a cria no colo/sling, que invejava os casais com seus pequenos na Praça São Salvador, na Ouvidor, nos sambas de Santa, fiquei chupando os dedos. Nós até já fomos e deu tudo certo. Mas sabe qual o problema? Nós ficamos mortos! Acabados! E no dia seguinte, baby, 6h da matina eles tão acesos de novo.

Esse horário santo, 19:30, foi o que garantiu minha sanidade, sério! É quando relaxo sem ter bebê atrás de mim até na hora de fazer xixi. Sim, eu não consigo fazer nem xixi sozinha, que dirá no 2! Eles percebem a ausência da mãe e logo vem um atrás. Eu fecho a gradinha do banheiro e, às vezes a porta. Eles abrem. Ficam da gradinha pipi pipi. E quando dou descarga, já estão na fase do tchau pipi. Às vezes eu abro a gradinha e meu banheiro vira do avesso em poucos segundos.

Nas férias de janeiro, momento em que ficamos MUITO cansados, com o passar dos dias a rotina foi esgarçando e eles cada vez dormindo mais tarde. Havia dias em que eu saía do quarto deles umas 9h da noite e ainda tinha que arrumar os brinquedos, comer, tomar banho. E dormir. E acordar junto com eles super cedo! Porque não pensem que, por dormirem mais tarde, acordavam mais tarde. Não! É o horário deles, no máximo 30 ou 40 minutos de diferença, não vale a pena. Então, eu prefiro acordar cedo (coisa que detesto), mas ter essas horinhas para mim.

Sei que a vida dos casais de um bebe só é diferente da nossa. Mas fico pensando que ter umas horinhas para si e para o casal é saudável, porque bebês demandam muita atenção! Um, dois ou três. Por isso, dou a dica: rotina! Como? Ter horários para as coisas.

Aqui dávamos leite em pó e, por isso, as mamadas tinham horários. Mas quem me conhece sabe que sou uma defensora da amamentação exclusiva! Não tive essa experiência, mas percebo que o bebê acaba estabelecendo os seus horários e você vai percebendo isso. Óbvio que se eu via que estavam com fome antes, nenhum problema. Ou caso não estivessem com fome, também. Mas os horários eram seguidos… O banho de sol, na rua ou em casa. O banho relaxante antes de dormir, sempre dado pelo super pai. A luz baixa na última mamada às 19h. A música de ninar. E assim, sem nenhuma grande força, eles dormiam sempre no mesmo horário, de dia e de noite. Quase todas as sonecas eram e são tiradas juntos. Caso acordassem ligados na madrugada quando eram pequeninos, não acendíamos a luz não. Pegávamos no colo, colocávamos na cadeirinha, enfim, o que o bebê quisesse, mas sempre mostrando que é noite, hora de dormir. Pausa: eu amava dormir com eles no peito! Amava! Fodam-se os pitaqueiros, seu filho não vai querer dormir a vida toda no seu peito, pode deixar!

Depois da introdução alimentar, a comida sempre no mesmo horário. E por aí vai….

Eu percebia que eles gostavam, ficavam mais tranquilos. Bebês gostam da previsibilidade e, por isso, eu vivia poucos episódios de erro geral. Só o Bento que sempre foi muito chorão me dava umas coças. Mas isso com ou sem rotina. Inclusive, já li muitos relatos de mães que perceberam que o filho bebezinho sentia mais cólica quando tinham visitas por exemplo, algo que é fora da rotina diária. Ou indo de colo em colo. Ou saindo por muito tempo.

E digo mais, são eles que pedem pra dormir, até hoje. Agora mesmo são 20:43 e eles dormem desde as 19:20. Sem nenhum esforço. Fui percebendo que estavam cansados, um chorinho aqui, outro ali, uma coçada no olho, um relaxamento no colo da avó segurando seus dedos. Peguei as mamadeiras, dei pra dois e a avó pra um. Deitamos ao lado deles e, puft, 10 minutos e estavam todos dormindo. Quem dá sinais que tá na hora são eles. E nós agradecemos! Amém!